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Volume I - O Abismo de Ness

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Capítulo 5 – O Primeiro Escolhido O silêncio na van era total. O grupo observava Alistair sentado à beira do lago, com o capacete do traje ao lado, os olhos fixos na água como se esperasse que ela falasse com ele. O vapor subia da superfície, e os olhos — agora invisíveis — pareciam ter recuado para as profundezas, embora a presença deles permanecesse suspensa no ar, como um perfume de ferro. Helena digitava compulsivamente no tablet, tentando cruzar dados sobre a estrutura submersa com relatos antigos. Nenhum deles mencionava o templo. Nenhum deles falava das figuras entalhadas ou da mulher que Alistair jurava ter visto. Otávio e Marcus permaneciam de guarda, mas sabiam que o que estavam enfrentando não podia ser contido com armas. — Ele não está com febre — murmurou Marcus, depois de checar Alistair pela terceira vez. — Pulso normal, pressão estável. Mas… — Mas? — perguntou Helena, sem tirar os olhos da tela. — Os olhos dele dilataram ao entrar no escuro da van. E… eles n...

Volume I - O Abismo de Ness

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 Capítulo 4 – Fragmentos Submersos A superfície do Lago Ness refletia um céu cinzento, denso e imóvel como chumbo líquido. A embarcação da agência flutuava quase sem movimento sobre a água espessa, como se temesse perturbar um antigo pacto de silêncio firmado com o abismo. Helena ajustou o traje de neoprene enquanto Marcus revisava pela última vez os comandos do guincho que levaria Alistair até a profundidade onde os sensores detectaram a anomalia.   — Confirma o ponto? — perguntou Marcus, sem desviar os olhos do tablet.   — Trinta e sete metros abaixo da superfície. Estrutura estável, temperatura fora do padrão para essa profundidade. — Helena respondeu com a voz tensa. — E pulsos eletromagnéticos intermitentes. Parece... vivo.   Alistair Harding terminou de prender os cintos do traje de mergulho reforçado. A câmera no ombro esquerdo já transmitia para os monitores. Mesmo com as luzes de segurança e o treinamento impecável, ele hesitava ao encarar o br...

Volume I - O Abismo de Ness

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  Capítulo 3 – Reflexos do Abismo A chuva começou fina, quase tímida, como se pedisse permissão para cair. Em minutos, o céu sobre Loch Ness se transformou numa abóbada cinzenta e pesada, onde nuvens carregadas se amontoavam como vultos suspensos. O lago, em resposta, deixou de ser espelho e passou a ser poço — negro, sem fundo, sem retorno.   A van tremia sob o impacto das rajadas de vento. No interior abafado, o silêncio dos caçadores era mais denso que o ar.   Marcus observava os gráficos na tela com olhos secos e mãos trêmulas. A curva de ressonância captada na pele do garoto morto continuava se expandindo mesmo após a remoção do corpo. O fenômeno parecia irradiar da carne, ou de algo que se alojara nela. Alguma entidade que recusava ser esquecida.   — Isso não é apenas resíduo energético — disse ele, em voz baixa. — É como se o corpo estivesse reproduzindo um canto. Uma frequência. Um pedido de entrada.   — Ou uma convocação — completou Ta...

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  Capítulo 2 – Ecos nas Águas O corpo do menino foi retirado da água com extremo cuidado, ainda envolto por longas fitas de algas que se agarravam à sua pele como dedos possessivos. Marcus vestia luvas pretas e mantinha o olhar fixo na criança, como se quisesse encontrar nos traços rígidos do rosto algum sinal de vida que ele já sabia que não existia. Os olhos do garoto estavam abertos, fixos no céu turvo da Escócia, e o branco dos olhos havia se tornado quase translúcido. As pupilas eram apenas um traço negro e vertical, como os de um felino.   — Não parece afogado — murmurou Helena, abaixando-se ao lado de Marcus. — Sem espuma nas narinas, sem distensão abdominal, sem cianose visível. O corpo não parece ter sido agredido por nenhum predador nem por detritos. Está… limpo.   — Demais pra ser natural — respondeu Marcus. — Foi banhado.   — Cerimonial? — sugeriu Otávio, ligando os sensores sobre a mesa de necroanálise portátil. — Ritualístico?   —...

Volume I - O Abismo de Ness

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  Capítulo 1 – O Alerta Inicial O telefone fixo da sala de operações tocou três vezes antes que alguém atendesse. O som grave e retrô quebrava o silêncio denso da Agência Quimera — um silêncio feito não da calma, mas da vigilância. As paredes de concreto bruto e aço polido, enterradas a doze metros abaixo de um hangar esquecido nas montanhas da Baviera, refletiam a luz fria dos painéis de LED que nunca se apagavam. Helena interrompeu a leitura de um dossiê e ergueu os olhos. Estava há quase quatro horas decifrando símbolos linguísticos em runas pictográficas oriundas da Groenlândia, mas algo no tom daquele toque lhe causou uma inquietação involuntária. Alistair, sentado à cabeceira da longa mesa oval de operações, ergueu a mão, sinalizando para que ninguém atendesse. Ele mesmo pegou o fone. — Alistair. — Sua voz era seca, cortante, como uma pedra velha. Ouviu em silêncio por quase um minuto, sem dizer mais que três monossílabos espaçados. Seus olhos não piscavam. Ao f...

A Dança do Rosto Errado

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Parte 1 – O Primeiro que Sumiu Na pacata Rua das Acácias, ninguém prestava atenção demais nos vizinhos. Até aquela noite. Eram quase três da manhã quando a senhora Clarice, espremendo os olhos por trás da cortina, viu algo impossível no quintal da casa 43: um homem dançava sozinho sob o poste queimado. Mas não era a dança que chamava atenção — era o rosto. Caído, torto, como se estivesse derretendo. Um lado escorria, o outro permanecia fixo, com um sorriso que não combinava com os olhos vidrados. Parecia... uma máscara mal colocada. No dia seguinte, os vizinhos sussurravam sobre aquilo. Ninguém sabia quem morava ali, e ninguém queria descobrir — exceto Jonas, o do número 39. Jonas atravessou a rua ao anoitecer. Chamou no portão. O som da música ecoava baixo e irregular, como se fosse uma vitrola rodando em agonia. Ele entrou. Nunca mais foi visto.

Implante Alienígena

Eu tinha 13 anos quando tudo começou. Era uma manhã qualquer, mas a sensação em minha perna direita não era comum. Acordei de um sono pesado e percebi uma dorzinha, como se uma pedrinha pequena estivesse incrustada dentro da minha pele. Algo de estranho estava ali, mas minha pele parecia intacta, sem nenhum corte ou sinal de ferimento. Apenas uma sensação incômoda de que havia algo dentro de mim. No começo, pensei que fosse alguma besteira, talvez algo que eu tivesse sonhado ou um machucado que não me lembrava de ter feito. Mas, com o passar dos dias, a sensação não sumiu. A dor se manteve ali, constante, mas sem nenhuma explicação óbvia. Aquela pedrinha imaginária continuava me incomodando. Eu tentei ignorar, achando que logo ia passar, mas não passou. Aos poucos, fui me acostumando com a ideia de que algo estranho estava acontecendo comigo, algo que não conseguia entender. Não tinha sentido. Como um objeto poderia ficar dentro da minha perna sem que minha pele ou meu corpo reagisse...