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Mostrando postagens com o rótulo Contos

A Caçada do Caitetu-Mundé

     O entardecer no Mato Grosso chegava abafado e úmido, enquanto a mata fechada engolia os últimos raios dourados do sol. Um grupo de biólogos, liderado pela doutora Ana Cláudia Tavares, havia se instalado às margens do Rio Aripuanã, com o objetivo de catalogar possíveis espécies de mamíferos não descritos pela ciência. A expedição, financiada por um obscuro instituto europeu, tinha foco em relatos locais sobre um animal misterioso: o Caitetu-Mundé .      Segundo os ribeirinhos, era um tipo de porco-do-mato, mas com um comportamento mais agressivo, inteligente e... estranho. Não andava em grandes bandos como os queixadas, mas em pequenos núcleos familiares, e parecia observar os humanos com um olhar quase consciente. Suas trilhas eram encontradas frequentemente ao redor de armadilhas destruídas — como se o animal compreendesse o perigo.      O grupo estava há cinco dias na selva quando avistaram, ao entardecer, a primeira pegada: cascos d...

A Serpente do Abismo

     Nas selvas impenetráveis de Putao, no Myanmar, onde o calor é sufocante e a umidade impregna cada centímetro do ar, um monstro reptiliano, quase mítico, se esconde nas águas escuras e misteriosas dos rios. Conhecida como Bu-Rin , essa gigantesca serpente aquática, com seu corpo que se estende de 40 a 50 pés, é o pesadelo das aldeias locais e o terror dos aventureiros que ousam explorar essa região esquecida pelo mundo moderno. Suas escamas, uma mistura de verde musgo e negro profundo, se camuflam perfeitamente nas águas turvas, tornando-a invisível até o último momento, quando é tarde demais para escapar.      A primeira visão que os nativos tinham do Bu-Rin era através do som de ondas violentas quebrando no rio e o estalo da vegetação sendo arrastada pela força das águas. Em um dos relatos mais antigos, um pescador descreveu como a água parecia se "ferver" antes de uma explosão súbita de violência, quando a serpente saltou das profundezas, suas mandí...

O Monarca da Névoa

     Nas vastas montanhas de Snowdonia, onde o vento uivava como uma lamento ancestral, e as nuvens se entrelaçavam com o céu até desaparecerem nas profundezas de um horizonte eterno, o Brenin Llwyd emergia da bruma como uma entidade mítica e aterradora. Conhecido como o "Rei Cinza" ou o "Monarca da Névoa", esse gigante sinistro caminhava pelas trilhas esquecidas de Gwynedd e Powys, em território galês, buscando almas perdidas que ousavam aventurar-se em seu domínio.      A origem do nome Brenin Llwyd , que em galês significa "Rei Cinza", já deixava claro o quão imponente e temível essa criatura era. Ele era descrito como um gigante de proporções colossais, com pele pálida, quase translúcida, que refletia as nuvens densas que sempre o acompanhavam. Seu rosto, porém, era o verdadeiro terror. Em vez de características humanas ou animais, seu semblante parecia feito de pura neblina, uma máscara de vapor que mudava constantemente, fazendo-o parecer mais uma ...

O Uivo Carmesim

     Na penumbra úmida das ruas desertas de uma grande metrópole africana, o som de passos ecoava pelo asfalto rachado. Tinham-se passado poucas horas do eclipse que mergulhara a cidade em trevas quase absolutas, quando um grupo de jovens, atraídos por relatos de desaparecimentos recentes, aventurou-se a explorar um beco esquecido, cujas paredes grafitadas com símbolos desconhecidos advertiam quanto ao perigo.      De súbito, um guincho agudo rasgou o silêncio: um grito prolongado e distorcido, semelhante a uma gargalhada histérica, que arrepiou a espinha até dos mais corajosos. Era o Booaa, o “Hiena Desconhecida da África Ocidental”, cujo nome derivava justamente daquele ulular aterrador. Diziam que o animal, de porte colossal, com pútridas mandíbulas repletas de presas serrilhadas e olhos incandescentes, surgia apenas sob a escuridão total, abrindo fendas na carne de sua vítima com voracidade faminta.      Os jovens, paralisados pelo terr...

Coração Serpentino nas Águas Ocultas

Em uma madrugada úmbria, quando a névoa pairava sobre as margens do Lago Mendota, um brilho esverdeado emergiu das águas profundas. Bozho, cujo nome deriva de “hello” na língua Potawatomi e possivelmente de Manabozho, a figura trapaceira algonquina, moveu-se com a cadência de uma serpente ancestral. Sua forma era inteiramente serpentina, com um pescoço longo que ondulava como uma lâmina viva e grandes olhos negros que refletiam a luz fraca do luar. Avistamentos históricos relatam que, em 27 de junho de 1883, o casal Billy Dunn, ao velejar, teve de repelir o monstro com remo e machado para salvar suas vidas. Décadas depois, em 1917, um pescador observou sua cabeça e pescoço a cem pés de distância de Picnic Point, causando correntes de pânico nas margens. Testemunhas posteriores descreveram escamas negro-esverdeadas com leves manchas claras, sugerindo uma criatura que jamais encontraria correspondência nos livros de ciência  Na cidade sombria à beira do lago, Dr. Helena Sutter, zoólo...

A Dança do Rosto Errado

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Parte 1 – O Primeiro que Sumiu Na pacata Rua das Acácias, ninguém prestava atenção demais nos vizinhos. Até aquela noite. Eram quase três da manhã quando a senhora Clarice, espremendo os olhos por trás da cortina, viu algo impossível no quintal da casa 43: um homem dançava sozinho sob o poste queimado. Mas não era a dança que chamava atenção — era o rosto. Caído, torto, como se estivesse derretendo. Um lado escorria, o outro permanecia fixo, com um sorriso que não combinava com os olhos vidrados. Parecia... uma máscara mal colocada. No dia seguinte, os vizinhos sussurravam sobre aquilo. Ninguém sabia quem morava ali, e ninguém queria descobrir — exceto Jonas, o do número 39. Jonas atravessou a rua ao anoitecer. Chamou no portão. O som da música ecoava baixo e irregular, como se fosse uma vitrola rodando em agonia. Ele entrou. Nunca mais foi visto.

Implante Alienígena

Eu tinha 13 anos quando tudo começou. Era uma manhã qualquer, mas a sensação em minha perna direita não era comum. Acordei de um sono pesado e percebi uma dorzinha, como se uma pedrinha pequena estivesse incrustada dentro da minha pele. Algo de estranho estava ali, mas minha pele parecia intacta, sem nenhum corte ou sinal de ferimento. Apenas uma sensação incômoda de que havia algo dentro de mim. No começo, pensei que fosse alguma besteira, talvez algo que eu tivesse sonhado ou um machucado que não me lembrava de ter feito. Mas, com o passar dos dias, a sensação não sumiu. A dor se manteve ali, constante, mas sem nenhuma explicação óbvia. Aquela pedrinha imaginária continuava me incomodando. Eu tentei ignorar, achando que logo ia passar, mas não passou. Aos poucos, fui me acostumando com a ideia de que algo estranho estava acontecendo comigo, algo que não conseguia entender. Não tinha sentido. Como um objeto poderia ficar dentro da minha perna sem que minha pele ou meu corpo reagisse...

A Besta de Gevaudan: O Retorno do Mal – Parte 3

Eu pensava que a transformação que havia sofrido era o fim, uma condenação eterna. Mas, como descobri, era apenas o começo. A maldição da Besta de Gevaudan não se limita ao que podemos ver, ao que podemos tocar. Ela é uma força, uma entidade que transcende o corpo, o tempo e a morte. E agora, o pior de tudo é que não estou mais sozinho. Quando a segunda besta me falou sobre o ciclo, eu finalmente compreendi o verdadeiro significado da maldição que carrego. Eu sou agora o hospedeiro dessa força ancestral, mas não sou o único. A Besta de Gevaudan, em sua essência, se espalha como uma doença, como uma praga silenciosa. Ela toma aqueles que se aproximam, aqueles que se aventuram na floresta, e os transforma — um a um — em caçadores e presas, alimentando-se de uma dor que nunca termina. Não existe fim para isso. Nos meses que se seguiram, minha fome só aumentou. O desejo insaciável de sangue, de carne fresca, de almas aterrorizadas, consumia meu ser. Mas, em cada caçada, eu percebia algo es...

A Besta de Gevaudan: O Retorno do Mal – Parte 2

A escuridão que se abateu sobre a minha alma não foi uma morte comum. Não foi um fim, mas uma transformação. Agora, eu sou o reflexo daquela criatura que me atacou, a besta que caçou e dilacerou com uma precisão impiedosa. Mas o que mais me assusta não é o poder que agora possuo, nem a força que me atravessa a carne e ossos — o mais aterrador é a consciência de que a besta nunca foi apenas um animal. Ela sempre foi algo mais. Em minha nova forma, algo dentro de mim percebeu a verdade: a Besta de Gevaudan não era apenas uma fera, mas uma entidade ancestral, uma força que havia sido despertada por séculos de mistério e sacrifício. Ela estava ali para consumir, para devorar, não só a carne humana, mas algo ainda mais sombrio — nossa própria essência, nossa alma. E eu, agora, sou parte dessa besta. Nos dias que se seguiram à minha transformação, comecei a entender o que aconteceu comigo. A primeira coisa que notei foi a fome. Não uma fome qualquer, mas uma necessidade insaciável de carne f...

A Besta de Gevaudan: O Retorno do Mal

     Em meados do século XVIII, a França foi marcada por uma série de assassinatos horríveis que até hoje continuam a assombrar a história. A Besta de Gevaudan, uma criatura desconhecida e sedenta por sangue, foi responsável por um rastro de mortes violentas em uma região isolada, em meio às florestas sombrias de Gevaudan. Porém, o que muitos não sabem é que ela nunca foi verdadeiramente derrotada. A besta ainda está entre nós. E, na calada da noite, ela retorna.      Tudo começou em 1764, quando os primeiros ataques ocorreram. A princípio, era vista apenas como uma fera, talvez um lobo gigante, mas logo ficou claro que sua natureza era muito mais sombria. Suas vítimas eram encontradas despedaçadas, com a carne arrancada de seus ossos, como se a criatura se alimentasse de algo além da mera carne. Seus olhos eram descritos como olhos humanos, vermelhos e penetrantes, iluminados pela luz da lua cheia. No entanto, a verdadeira natureza da besta nunca foi comp...

O Homem do Chapéu

Nunca fui uma pessoa dada a acreditar em histórias sobre entidades, alienígenas ou qualquer coisa do tipo. Na minha cabeça, tudo isso era invenção de quem queria chamar atenção ou passar o tempo. Eu evitava assistir programas de ficção científica e sempre ria de quem falava sobre abduções. Até aquela noite. Era uma noite como qualquer outra, ou pelo menos parecia ser. Eu estava na casa do meu namorado, nos braços de um sono profundo, quando algo me acordou abruptamente. Não sei exatamente o que foi — talvez o som de um objeto caindo ou o frio repentino que percorreu a espinha — mas, quando abri os olhos, o quarto parecia irreconhecível. A luz fraca da lâmpada de cabeceira projetava sombras longas nas paredes e no teto, e o ar estava pesado, denso de uma tensão indescritível. Eu me sentei na cama, ainda meio atordoada, tentando entender o que estava acontecendo. Meu coração batia mais rápido agora, como se algo estivesse prestes a acontecer. Foi então que eu vi: no canto do quarto, um...

Entidade Desconhecida

Era uma noite abafada, o tipo de noite onde o calor parece se estender até as primeiras horas da madrugada, tornando o sono um desafio. Eu tinha uns 15 anos na época e, como a maioria dos adolescentes, estava começando a explorar a vida com maconha e álcool. Mas eu sempre achei que isso não tivesse muito a ver com o que aconteceu naquela noite. Não estava chapado, nem sequer meio bêbado. Eu já tinha experimentado coisas estranhas, mas nada como isso. Estava deitado na cama, a posição meio fetal, tentando dormir. O som da casa velha — o rangido das madeiras, o zumbido distante da lâmpada no corredor — me envolvia como uma rotina comum. Tudo estava normal, até que uma sensação estranha se arrastou pela minha espinha, como se o ar tivesse ficado mais denso. Eu não ouvi nada, mas sabia que algo estava errado. De repente, meu corpo girou. Foi lento, mas decisivo, como se eu tivesse sido movido por mãos invisíveis. Girei 180 graus, no sentido anti-horário, e a sensação de desorientação fo...

Sussurros da Terra Podre

 A terra tá úmida de novo, o que parece um milagre depois de tantos anos de seca interminável, mas é só mais um sintoma do que restou de um mundo que nem se lembra mais de si mesmo. A gente fugiu para o subsolo muito antes, quando o céu se desfez e a terra se encolheu sob o peso de um calor insuportável. O sol desapareceu, não por nuvens escuras, mas porque a própria luz parecia se distorcer, como se o céu tivesse perdido a coragem de brilhar. A vida virou um pesadelo de calor, cinzas e desespero, e nós nos enterramos, acreditando que, no fundo, o que restava da civilização talvez fosse o que nos manteria vivos. Mas, todos sabiam, ninguém voltaria para a superfície e viveria bem de novo. Agora, após tanto tempo, o chão úmido, pegajoso, nos lembra de como as coisas eram antes. A umidade inunda os túneis, enferruja as velhas máquinas de ventilação, que antes eram as nossas únicas esperanças de encontrar um pouco de ar fresco. Mas o ar que sai delas agora é denso, com um odor nausean...

Sinais Sob a Carne

Na pequena cidade de Pedra Branca, esquecida no interior do Brasil, havia uma fazenda abandonada chamada Estância do Céu. Durante décadas, moradores relataram luzes estranhas sobrevoando os campos, animais desaparecendo sem deixar vestígios, e um cheiro metálico no ar após as chuvas. Mas ninguém ousava se aproximar do lugar. Em uma noite chuvosa, três jovens — Matheus, Lorena e Diego — decidiram invadir a estância para gravar um vídeo e ganhar seguidores. O portão enferrujado se abriu com um grito metálico. O cheiro de ferro oxidado e carne pútrida era quase insuportável. Ao entrarem no antigo celeiro, encontraram símbolos gravados em círculos no chão e uma escada que levava a um porão subterrâneo. Lá embaixo, o ar estava mais gelado. O chão era coberto por uma substância viscosa e escura. No centro do porão, um altar feito de ossos — humanos e animais — estava iluminado por um brilho esverdeado que não tinha fonte aparente. Quando Lorena tocou o altar, todos ouviram um estalo seco, co...

A Maldição de RootHollow

A família Grimstone está amaldiçoada. Há muito tempo, quando os Milners e os Grimstones fundaram a cidade de RootHollow, uma rivalidade sangrenta germinou entre as duas famílias. A disputa culminou em um duelo mortal, onde ambos os patriarcas, Abel Grimstone e Lou Milner, juraram resolver suas diferenças em um embate final. Com uma arma em mãos, o pacto foi selado. Vinte passos separavam os dois homens. Apenas vinte. Cinco passos. Dez passos. Quinze passos... Um estampido ensurdecedor rasgou o ar, reverberando pela floresta densa. Nenhuma testemunha, apenas Abel e Lou. Abel não hesitou: a pistola fendeu o silêncio da madrugada, e Lou caiu, sua testa estourando sob o impacto da bala. Seu corpo se retorceu antes de tombar na terra, deixando um rastro de sangue escuro que se espalhava como uma mancha de morte. Abel, sem nem um vislumbre de remorso, arrastou o cadáver de Lou pelos tornozelos, suas botas cravando-se no solo enlameado. Arrastando-o para uma cova rasa, Abel não se deu a...